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  • Há somente uma voz sob a soleira do céu

  • Ela embriaga os anjos

  • Ao se vestir de lua.

  • É a voz do encanto

  • E do espanto,

  • Porque desnuda os homens de suas dores.

  • O canto que encerra as batalhas

  • O alento frente o sofrer.

  • Carpi em silêncio

  • Murmúrios de amor

  • Teu cantar é suavíssimo e melodioso,

  • Teus passos caminham suavemente

  • Sobre a bruma

  • Abaixo o mar espera ser tocado.

  • Domina os navegantes

  • Para as profundezas do mar...

  • A eternidade;

  • Para onde,

  • Contigo,

  • Se vai com fino gosto

  • Se desejares nos conduz ainda além...

  • Do que se queira,

  • Do que se tem.

  • Percorrendo os rios

  • Em movimentos semoventes

  • Para transpor o visível,

  • E reter consigo

  • Na perpetuidade dos lábios

  • O perenal amor.

  •  

  • Há apenas uma voz que adentra os céus

  • Rompe as trevas...

  • É esta epifania

  • Escarlate das canções,

  • Feita mulher

  • Na plenitude da singularidade.

  • Ela faz rotar a terra

  • E movimenta o infinito

  • A ludibriar as desventuras.

  • Dona das horas,

  • Dona dos dias.

  • Da de comer

  • E de beber aos viajantes

  • Vestida de chuva,

  • Despida de sol

  • Os ressuscita

  • Quando nada mais lhes vale

  • Tu fazes com que tuas mãos bailem

  • Em favor destes.

  • Teu olhar cabisbaixo

  • Abençoa a Terra.

  • Bem poderia ser chamada vida,

  • Bem poderia ser chamada sorte.

  • Teu canto ergue tua face na velocidade

  • Em que se levantam

  • Os castelos e os templos...

  • Muito lentamente

  • Para que nada mais a acompanhe.

  • Senhora das palavras,

  • E da palavra amor.

  • Teu olhar tem mais caminhos que o tempo,

  • Mais expectativa que a incerteza

  • E mais sonhos que a esperança

  • És a fada dos cancioneiros,

  • Dama do fado

  • Que desfaz,

  • Caso queira,

  • O irrevogável,

  • E o melancólico.

  • Quem neste mundo vive

  • De outro nome não te pode clamar

  • Que não seja Diva.

  •  

  •  

  •  

  •  




  •  

  • Ah! Que desta noite eu só queria teu cheiro

  • A bailar por entre as brumas

  • Em movimentos frescos e macios

  • Nada me seria mais visível,

  • Nada haveria de ser tão belo.

  • Pedi aos anjos que velassem

  • Teu sono esta noite

  • E todas as noites

  • Em que contigo eu não esteja.

  • Minhas noites em tua mágica presença

  • Serão noites de contemplação,

  • Noites em que teu respirar

  • Verteram lágrimas dos meus olhos.

  • Noites em que tuas mãos aliadas,

  • Como que em prece

  • Farão-me cerrar os olhos

  • Por um breve instante...

  • E eu deixarei sair de meus pulmões

  • O sopro da quietude;

  • Nem o sentimento de exaspero da véspera,

  • Nem a incerteza do retorno.

  • Meu amor resplenderá em ti

  • Como o colo amigo,

  • Como um beijo materno

  • Com a confiança que tens o filho

  • Ao lançar-se aos braços do pai.

  • Eu lhe refugiaria das desventuras,

  • Das noites frias

  • E cuidaria de cada uma das feridas

  • Ainda expostas pela vida.

  • Em todas as noites

  • O teu guardião eu seria

  • E meu amor lhe privaria dos pesadelos,

  • Dos maus presságios

  • E de qualquer desilusão.

  • Na distância,

  • Em ti,

  • Eu seria um sentimento

  • Que emanaria em teu ser

  • Como em nossos encontros

  • Nos toma a paz.

  • Guiam o amor até este porto teus sonhos

  • E encontrarás nesta morada

  • O aconchego e o calor de um leito,

  • E neste campo verde

  • Tu fincarás raízes

  • Enquanto nascem as flores. 

  •  


  •  

  •  


  •  

  •  

  • Minha boca encontra-se ainda orvalhada

  • A esperar da boa ventura do beijo teu,

  • Os sabores do amor.

  • Há por certo

  • Mais paixão no reencontro

  • Do que no encontro.

  • Há uma certeza de amor

  • Que não se tinha,

  • Uma beleza no olhar

  • Que não se via,

  • Um tocar a pele do outro,

  • Com tanta singeleza,

  • Que se acredita acariciar as nuvens;

  • Há tanta intensidade nos afagos

  • Que se tem certeza do eterno.

  • Não há amor além de ti...

  • Eu trocaria todo instante

  • Em que bradei amor

  • Pelo silêncio desta noite

  • Em que teu olhar sereníssimo

  • Encontrava-se embevecido

  • De sentimento,

  • Do meu sentimento

  • Acalentado tão somente

  • Pelas tuas mãos

  • Ainda presentes em minha face

  • Quero-te novamente

  • Sobre a arei

  • A um passo do mar,

  • Mas em pleno navegar

  • Sobre o desconhecido,

  • Por entre os lençóis

  • O repousar do que jamais vivemos.

  • Tu bailavas em meus sonhos

  • Enquanto eu embalava teu sono

  • A velar-te sussurrando amor.

  • Tua respiração ritmava-se a vida

  • E um novo dia nos abençoava

  • Teu amor me fez

  • Cantar estrelas,

  • Desejar o dia,

  • Sonhar com a noite

  • E acalentar a madrugada.

  •  

  • Amo-te sempre e todos os dias...

  •   

  •  

  •  

  •  


  •  

  •  

  • Eu bem poderia ter te escrito um poema,

  • Mas o meu sentir encontra-se além da poesia,

  • Não se diz com palavras,

  • Podendo somente ser visto nas faces,

  • No interior de cada face e na intenção de cada gesto.

  • Sei que em nós tudo neste instante é extremamente novo,

  • Uma voz jamais ouvida,

  • Um gosto jamais provado.

  • Espero deste reencontro a eternidade

  • Que sinto nos teus olhos que tanto me querem amar;

  • Quero para ti ser a presença sempre certa,

  • O amor que não falha,

  • Quero que em meu peito

  • Você encontre sempre o calor do meu sentir,

  • Uma quietude serena transmitida docemente

  • Para cada um dos teus atos,

  • Dos teus passos,

  • Dos teus olhares.

  • Saibas que deste amor não abro mão por nada,

  • Que em meu colo tua presença será sempre esperada;

  • Junto a mim despejará as dores de outrora e as futuras,

  • E então me amarás livremente.

  • E mais,

  • Eu gostaria de que em tua vida

  • Não mais houvesse tristeza alguma,

  • Mas não sou Deus,

  • Sou apenas aquele que ama.

  • Amo-te não como quem não possui outro caminho,

  • Mas como quem com o mais elevado agrado,

  • Toma nas mãos com todo ímpeto esse carinho da vida,

  • Um afago do tempo,

  • O teu amor.

  • Viverei cada dia para ser merecedor de ti,

  • Da tua voz orvalhada de amor,

  • Do teu carinho que transcende o comum

  • E do teu olhar...

  • Doce passagem do crepúsculo à alvorada,

  • O sentimento de todas as horas,

  • Muito mais do que se podia esperar do amor,

  • Teu nome é o canto da vida.

  •  

  •  

  •  

  •  


  •  

  •  

  • Careço de ti...

  • E não seria exagero

  • Dizer que preciso

  • Como da viração

  • Que irrompe

  • O mar e me nutri

  • De ar e vida.

  •  

  • Careço de ti...

  • E não seria exaspero

  • Dizer que não fico

  • Nem mesmo um dia

  • Sem pensar em ti

  • Sem pausar meu olhar

  • Sobre a espera que urge

  • Carente de ti.

  •  

  •  

  • Careço de ti...

  • E tua ausência

  • É para mim febril

  • E não seria loucura

  • Dizer que tens

  • A cada instante

  • Minha alma,

  • Meus passos

  • E meu sentir.

  •  

  • Careço de ti...

  • E não seria doença

  • Esse corpo quente,

  • Esse peito palpitante,

  • Esse olhar perdido

  • Fixo na primeira

  • Estrela do horizonte

  • Que assim como eu

  • Suspira pra ti.

  •  

  • Careço de ti...

  • Como quem sonha

  • Em ti fazer

  • Ver sempre límpido

  • O profundo do mar

  • Sem ousar distinguir

  • O provável do impossível.

  • Como quem paira sobre o tempo

  • E faz morada sobre as nuvens.

  •  

  • Careço de ti...

  • Apenas como quem ama

  • E espera rever a doçura

  • Do olhar da amada

  • Esperando acariciar

  • Com doces beijos os únicos lábios

  • De que se tem lembrança

  • O único sentir que me alcança.

  • A única voz que me faz bailar no infinito.

  •  

  •  

  •  


  •  

  • A cada toque teu ser me comove a uma experiência que é par do impossível

  • Indescritível beijo n’alma, causa de transcendência, um estado de sublimação

  • Desfeito do sono no instante em que as emoções desejosas clamam teu nome

  • Rente ao paladar que percorre em esmo e caricia os lábios pulsantes em paz.

  •  

  • Nada além dos teus sentimentos possuirão minhas mãos elevadas ao eterno

  • Pois o caminhar de cada instante é à espera do teu áureo regresso a exatidão

  • Do afetuoso querer que extirpa à fio as memórias de amores outros, inexatos!

  • Vagos contornos, nem mais se chamam alentos, diante de ti... esquecimentos

  • Total sublevação ao comum, somente um terno instante sob o olhar da noite.

  •  

  • Pereceram subitamente todas os tormentos, ante o sagrado dos teus lábios...

  • A véspera do breve espaço, semovente caricia dos extremos de tuas mãos.

  • Urge em mim a necessidade de ser teu, de dar-te todas as minhas esperanças,

  • Como quem entrega a vida e despede-se numa só lufada da voz, das desventuras.

  •  

  • Meu leito mitiga-se pela seqüência de imagens - fenômenos psíquicos do sono,

  • Teu corpo debruçado sobre a quietude do amor, no está não está de todas as horas,

  • É o volver do outono despedindo-se da sofreguidão das lembranças da primavera,

  • Irascível látego dos meus anseios de amor, do que se perdeu para o volver do tempo,

  • Para as auroras inesquecíveis, as quais, se prefere não recordar nos dias de solidão.

  •  

  • Navega na expectativa do acaso a tristeza do ocaso do último toque, repleto de emoção

  • Do amor que trago no horizonte do olhar perdido, do olhar que tão somente espera.

  • Se fores partir...

  • Anuncia-me na véspera, para que eu me despeça de tudo que sentirei saudade...

  • E possa perecer em silêncio sobre o sílex de quem ainda acalenta promessas de amor.

  •  


  •  

  •  


  •  

  •  

  • Hoje foi o dia mais frio da estação

  • Alias já faz dias que me distanciei do calor...

  • Por certo ela deve esta de braços dados com algum anjo

  • Ou caminha docemente sobre as flores,

  • Ela que pisoteou minha ilusão,

  • Fazendo pulsar meu sentir

  • Como alguém que brincasse pela primeira vez

  • Tateando uma nova forma,

  • De contornos solitários

  • E eximiamente agrupados.

  • Como quem deixa transpassar por entre os dedos

  • Aquela construção límpida,

  • Uma coisa de lua

  • Com toque de mar.

  • Todas as minhas fantasias são pra ti

  • Suave como quem repousa desfalecido sobre o leito

  • Como em um passeio pelos campos

  • No vivaz aroma das camélias

  • Menção à noite em que velei teu sono.

  • Assalta-me a mortalha do amor

  • A saudade,

  • Como a menina que espera seu amado

  • Debruçando a cada dia,

  • No horizonte do porto a tua carência

  • Jaz uma década ninguém mais espera.

  • O que mais dizer...

  • Senão que amo todos os teus gestos,

  • A magia,

  • O toque,

  • A aurora dos sonhos,

  • O revérbero do amor.

  • Anuncia teu regresso

  • E mitiga minha dor. 

  •  


  •  

  •  


  •  

  •  

  • Irrompe meu sono os sinos de uma longínqua catedral

  • Anunciando um estado mórbido de consciência,

  • Um clamor que aos poucos se silencia

  • Murmurando

  • Como que em gritos

  • Entre o leito e a parede

  • O dilacerar da ausência,

  • A lágrima.

  •  

  • Nenhuma esperança nova adentra a frincha do infortúnio;

  • Avizinha-se o desespero

  • Imparcial contador das horas,

  • Altivo...

  • Plano profundo do tardio

  • Essa dor é ilusória desventura,

  • Passagem à estância dos delírios,

  • Fúnebre alcova das alegrias,

  • Despedida de vazão alguma – asfixia.

  •  

  • Sob o limiar o canto entorpecido

  • A voz empalidece,

  • Emudece pelo lapso das juras,

  • Só resta a elas tatearem o infinito

  • Em busca do eterno

  • De tua divinal presença

  • Num singrar cego pelo amor de outrora.

  •  

  •  
     

  •  


  •  

  •  

  • O tempo soprava lentamente

  • Aquela indócil esperança de amor

  • O sabor desta amargura,

  • De agora,

  • Configura-se como a inexata resposta à fé.

  • Uma certeza que se acreditava inequívoca

  • Sólida resposta divina...

  • Assim, se acreditava ser o próprio sentimento.

  • Hospedeiro das moradas vazias

  • Mortos em um vagar eterno

  • Num sempre mesmo ritmo –

  • O compasso do desespero

  • Como quem sabe o que deseja

  • Mas tem ciência de sua total impossibilidade

  • Nada somos diante do impossível

  • Senão a espera de ser ouvido

  • De que novos olhos nos tomem

  • Entre os movimentos espaçados

  • De um estado imóvel

  • Adeus...

  •  

  •  

  •  
     


  •  

  •  

  • À graça dos teus olhos imploro.

  • Pois mais de ti não mereço,

  • Embora hei de carecer de muito mais

  • Teu afeto já não me visita

  • E confesso em baixa face

  • Que está saudade carece de ti.

  • Quando julgava perder-te

  • Teu nome veio a mim do inesperado

  • Ao apanhar-te pela voz de outrem

  • Perguntei a mim

  • Porque me veio a tua imagem

  • Da comum abreviação do teu nome

  • Espantando o viu esquecimento

  • Deparei-me em silêncio com a certeza

  • De que tu estavas ainda mais perto

  • Não a vejo,

  • Não posso tocar tua face

  • Nem serenamente contemplar-te...

  • Teus lábios

  • De cálida textura, imaginei...

  • Que se moviam ao meu encontro

  • Ah! Meu querer

  • Sei que se julgares minha covardia

  • Não mais ressuscitarei ao teu toque

  • Mas te peço,

  • Deixa o destino rodar...

  • Rodar.

  • [minhas retinas se perdem e minhas pálpebras se fecham ao pensar em ti]

  •  


  •  

  •  


  •  

  •  

  • Haverá ainda uma última voz,

  • Ah! Sim,

  • Deus me dará esta graça.

  • Tateio minhas mãos em busca de ti

  • Já não posso mais me perder

  • Já não há mais caminhos para ti

  • Só para o longe

  • Lembranças do infinito

  • E nada mais.

  •  

  • Vejo-te à distância

  • Como quem assiste a um sonho

  • As mãos traspassam a ti

  • Inexisto neste agora

  • E nem sei de tuas saudades.

  • Se eu soubesse ser possível

  • Estes meus delírios

  • Ansiaria, afinal, padecer para pairar em ti.

  • E nada mais.

  •  

  • Já não sou mais do que um fantasma,

  • Triste alma perdida a vagar

  • Nisto que alguns chamam poesia,

  • Par do exagero;

  • Nisto que outros chamam solidão,

  • Prece do desespero;

  • Nisto que os desventurados

  • Caçoam ser loucura;

  • Nisto que apenas fere

  • E nada mais.

  •  

  • Sei que daquela antiga felicidade

  • Já não há mais sabores,

  • Amores não mais existem,

  • Nem bons versos.

  • Sei que as dores insistentemente volvem

  • Sob a minha quase existência

  • Sobre minhas últimas esperanças

  • Desta vida eu me despedi amor

  • E este dia eu guardei... para chorar por ti

  • E nada mais.

  •  

  •  

  •  

  •  

  •  

  • I

  •  

  • Surgimento

  •  

  • Como falar de tua presença sempre primorosa,

  • Que de maneira errante, circunscrita n’alma

  • Entremeia os anseios daqueles que amam,

  • E se deleitam nestas veredas perenes do agora

  • Inebriados por longínquos sonhos possíveis

  • E pela rara e metafísica certeza do amor.

  • Igualmente move-se sobre o desalento

  • No pretérito daquela tristeza que dói

  • Feito quem, em dia frio, chora sozinho à praia.

  • Chuva, lágrimas e mar.

  • Tudo se desfaz, faz padecer a esperança

  • Nos deixando partir / morrer à míngua.

  • Feito a mão que acaricia a água

  • Promovendo imagens turvas

  • Feito choro, carta e voz em dezembro.

  • Aí tu se revelas numa grandeza tamanha

  • Q’eu acreditava demovida deste Eu trajetória

  • Quase extinta...Pálida.

  • Deveras, eu já padecia em desesperança

  • Enquanto me contentava aquecido pelo dissabor

  • Privado da mais bela das paixões belas.

  • Arrebatou-me deste vago estado

  • Um par de olhos que irrompeu sobre minha alma

  • Feito ventania que se fez da leda brisa

  • Feito chuva inesperada, piedosa torrente

  • Acolhedora, não brada

  • Aguarda, fitando o instante.

  • Da comoção de teu sorriso fiz meu mundo

  • De teu mundo meu sorriso.

  • E por onde passares...

  • Em meio às terras volvidas por teus passos

  • Hei de semear,

  • Hei de profetizar o amor.

  •  

  •  

  •  

  • II

  •  

  • Ausência

  •  

  • A solidão de te deixar por alguns instantes é a lembrança nulificante de não te ter antes de ti...

  •  

  • Ainda ouso as doces cantigas dos antigos gajeiros

  • Que ante ao grito murmuravam cantigas de alento

  • Desatando o gélido nó ao longo da noturna solidão

  • Até advirem à gávea miragens das brisas matinais

  •  

  • Haveriam repelido as brumas,

  • A temporal fina mão da morte.

  • Haveriam jurado amor eterno,

  • A remota imagem das amadas.

  •  

  • Ansiavam pela posse do leme

  • Almejando celebrar o retorno,

  • Ensandeciam em seus motins

  • Aquém das ofertas dos botins.

  •  

  • Fitavam trovões e se compadeciam das tempestades

  • Face a face com o vigor das aterradoras desventuras,

  • Temores nunca iriam além do colo de tuas senhoras

  • O medo do adeus refez-se na bravura do reencontro.

  •  

  • A certeza de comungar contigo este afeto é a evidência notória de que o amor foi inaugurado por ti.

  •   

  •  

  •  

  • III

  •  

  • Existência (Luar)

  •  

  •  

  • A lua dotada de inumerável fé despe-se de similitudes para conceder aos versos a beatitude da
    existência, outrora, a própria imagem do impossível.

  •  

  • Transfigurada sobre as faces, nesta noite, em luz, ela se debruça cálida, percorrendo caminhos
    invisíveis e refazendo o olhar da alma.

  •  

  • No instante que precede o beijo as bocas saboreiam em silêncio o trilhar de alvoradas pela esperança;
     não se sabe da dor do último adeus, diluído no sofrer de cada despedida...

  •  

  • O amor decorre dos breves desencontros.

  •  

  • A leveza suaviza os passos, perpassando as formas do agora e de tempos outros, acolhidos sob o feitio
    venial da candura que contempla cada instante e todos os instantes desde então, desde ti.

  •  

  • A eternidade é a consciência utópica da trajetória cumprida neste lugar incomum, seres feitos de
    mister, par contínuo de amantes audazes.

  •  

  • Um espírito paira sobre o ressoar de uma doce cantiga, nada mais cega os homens que esperam a
     tempestade. Dissipou-se a neblina que enternecia as horas dos dias

  •  

  • E este novo advento de si, nem sabes que é beatitude. De tantos alados desejos outrora suspensos em
    apelos, se teu silêncio alcovita sentimentos, os revela o teu coração.

  •  

  •  

  •  

  •  

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